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sábado, 28 de fevereiro de 2015

PHONO 73 • O Canto De Um Povo (Disco 2 - Album Completo)




É um álbum ao vivo que apresenta uma seleção das melhores apresentações realizadas durante o festival de música realizado no Palácio de Convenções do Anhembi, entre 11 e 13 de maio de 1973, com todo o elenco da Phonogram, hoje Universal. A multinacional tinha quase todos os grandes nomes da dita MPB e resolveu reuni-los em um grande evento de marketing --embora a palavra não fosse usual na época-- que também tinha um inevitável viés político, já que se vivia o período mais repressivo da ditadura militar.

"Os militares achavam que a gravadora estava cheia de comunistas, e os artistas nos viam como direitistas. Na verdade, o que nós queríamos era gravar boa música brasileira", diz Armando Pittigliani, então diretor do departamento de serviços criativos (marketing no jargão de hoje) da Phonogram e diretor-geral do Phono 73.

O lado promocional era nítido, tanto que a gravadora, pouco antes do festival, reuniu os artistas para uma foto que usou em um anúncio com a frase "Só nos falta o Roberto". Mas o Rei nunca foi.

O que importa hoje, no entanto, é outro lado: o da contestação, política e estética, o do registro de artistas em momentos tão criativos quanto tensos. O exemplo mais claro é o de Gil e Chico Buarque, que tinham acabado de compor --e ter censurada-- "Cálice".

Resolveram levar a música para o palco e tiveram os sons de seus microfones cortados por ordem de policiais. Como o som da mesa de áudio permaneceu ligado, ficou guardado o que Chico disse após o corte: "Estão me aporrinhando muito. Esse negócio de desligar o som não estava no programa. Claro, estava no programa que eu não posso cantar a música ["Cálice'] nem "Anna de Amsterdam". Não vou cantar nenhuma das duas. Mas desligar o som não precisava não".

Só é possível ouvir essa fala nos extras do DVD --que é a grande novidade, já que as músicas tinham saído em três CDs. No disco também há algumas imagens de Chico, irritado, cantando "Cotidiano" e "Baioque". No fim desta, ele grita, fora do microfone mas de modo bem reconhecível: "Censura filha da puta!". A seu lado, os cantores do MPB-4 gritam sons desconexos para protestar.

LP: Volume dois:

"É Com Esse que Eu Vou" – Elis Regina
"Ladeira da Preguiça" – Gilberto Gil e Elis Regina
"Mas que Nada" / "De Manhã" – Jorge Ben
"Zumbi" – Jorge Ben
"Não tem Perdão" – Ivan Lins e MPB4
"Pesadelo" – MPB-4
"A Alegria Continua" – MPB-4
"Baioque" – Chico Buarque
"Manera, Fru Fru Manera" – Fagner
"Jazz Potatoes" – Gilberto Gil e Jorge Ben